Bullying e violência na escola: como proteger nossos adolescentes

O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, lembrado em 7 de abril, é uma oportunidade importante para refletirmos sobre a convivência escolar e sobre o papel que adultos, educadores e profissionais de saúde têm na proteção dos adolescentes.

O bullying é um problema que afeta diretamente a saúde emocional, social e, muitas vezes, física de crianças e adolescentes, que envolve comportamentos repetidos de humilhação, exclusão ou agressão que colocam um jovem em posição de vulnerabilidade.

Por isso, conversar sobre esse tema dentro da família, na escola e também nos atendimentos de saúde é fundamental.

O bullying também faz parte das conversas no consultório

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Durante as consultas com adolescentes, é comum que a conversa vá além de sintomas físicos ou queixas médicas. A vida escolar é um aspecto muito importante do acompanhamento.

Por isso, nas consultas costumo perguntar como está a rotina na escola, como são as amizades, como o adolescente se sente no ambiente escolar e se já passou por situações difíceis com colegas.

Essas perguntas fazem parte da triagem justamente porque o bullying muitas vezes aparece de forma silenciosa. Nem sempre o adolescente percebe imediatamente que está vivendo uma situação de violência ou de exclusão (contarei uma história sobre isso mais abaixo!).

Bullying: três atores envolvidos

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Quando falamos sobre bullying, muitas pessoas pensam apenas em quem agride e em quem sofre a agressão. Mas existe um terceiro papel muito importante nessa dinâmica: quem assiste.

O bullying geralmente envolve três atores:

  • Quem pratica o bullying;
  • Quem sofre o bullying;
  • Quem presencia a situação.

Os adolescentes que assistem ao bullying têm um papel fundamental na forma como essas situações evoluem. Quando ninguém se posiciona, o comportamento agressivo tende a se repetir e ganhar força. Por isso, um trabalho importante com adolescentes é ensinar que não é saudável nem seguro permanecer apenas assistindo ao bullying.

Isso pode significar apoiar o colega que está sofrendo, procurar um adulto de confiança ou comunicar a situação à escola.

Quando o adolescente não reconhece que está sofrendo bullying

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Em alguns casos, o adolescente pode demorar a perceber que está vivendo uma situação de bullying.

Recentemente acompanhei um adolescente que relatava algumas dificuldades na escola, mas inicialmente não identificava aquilo como uma situação de violência. Aos poucos, durante as conversas, fomos percebendo que ele vinha sendo alvo de comentários e atitudes repetitivas que o deixavam desconfortável.

Quando ele conseguiu compartilhar essa situação com a mãe, foi possível abrir um diálogo importante. A família conversou com a escola e, a partir desse movimento, a situação começou a ser acompanhada com mais atenção.

Esse tipo de intervenção precoce pode evitar que o sofrimento se prolongue.

Como ajudar o adolescente a lidar com o bullying

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O combate ao bullying começa com escuta e acolhimento. Algumas atitudes podem ajudar a proteger adolescentes, mas destaco o diálogo aberto sobre a vida escolar, a observação contínua sobre mudanças de comportamento, isolamento ou resistência em ir à escola e, o mais importante: reforçar que pedir ajuda é um sinal de cuidado, não de fraqueza. 

O bullying não deve ser tratado como “brincadeira” ou como parte natural do crescimento. Ele pode gerar impactos importantes na autoestima, na saúde mental e no desenvolvimento social do adolescente.

No consultório, olhar para a vida escolar do adolescente faz parte do cuidado integral. Perguntar, escutar e orientar são passos importantes para que os jovens se sintam seguros para compartilhar suas experiências.

Se você tem um adolescente em casa, vale a pena abrir espaço para essas conversas. Às vezes, uma pergunta simples pode ser o início de um diálogo que faz toda a diferença.

Se sentir dificuldade em manter este diálogo, marque uma consulta e vamos conversar sobre isso.