Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento expressivo nas denúncias de abuso e exploração sexual infantil. Entre 2020 e 2024, os registros feitos pelo Disque 100 cresceram 195%, saltando de 6.380 para 18.826 casos.
Além disso, estima-se que 13 crianças e adolescentes sejam vítimas de algum tipo de violência a cada hora no país, o que ultrapassa 115 mil casos por ano.
O aumento nas denúncias também pode refletir maior conscientização e acesso aos canais de ajuda, o que é positivo. Ainda assim, os números revelam a dimensão do problema e a urgência de enfrentá-lo.
Por isso, o mês de maio tem um significado especial para nós, profissionais da saúde que lidamos com crianças e adolescentes. O Maio Laranja marca uma das campanhas mais importantes de conscientização sobre a infância no Brasil e propõe um chamado coletivo para protegê-la contra todas as formas de violência, especialmente o abuso e a exploração sexual.
Mas, você pode se perguntar: como faço, na prática, para ajudar nessa proteção?
Antes de tudo, crianças precisam se sentir seguras para falar, por isso, a escuta sem julgamento é essencial dentro de casa. Ensinar sobre limites e consentimento, acompanhar o uso da internet e saber reconhecer sinais e mudanças de comportamento também faz muita diferença
Como reconhecer sinais de abuso ou violência

Nem sempre a criança ou o adolescente consegue verbalizar o que está acontecendo. Por isso, é fundamental que adultos estejam atentos a sinais, muitas vezes sutis, de que algo não vai bem.
O MDH tem uma cartilha muito completa sobre o assunto. Para facilitar, vamos elencar os principais indicativos a seguir.
Sinais em mudanças comportamentais:
- Isolamento repentino ou recusa em participar de atividades antes prazerosas
- Medo excessivo de determinadas pessoas ou lugares
- Irritabilidade, agressividade ou crises de choro frequentes
- Regressão de comportamentos (como voltar a fazer xixi na cama)
Sinais de alterações emocionais
· Ansiedade, tristeza constante ou sinais de depressão.
· Baixa autoestima ou sentimento de culpa
· Dificuldade de concentração e queda no desempenho escolar
Sinais físicos
- Lesões, dores ou desconfortos na região genital
- Infecções recorrentes sem causa aparente
- Alterações no sono ou no apetite
Comportamentos sexualizados inadequados para a idade
- Conhecimento ou atitudes sexuais incompatíveis com a fase de desenvolvimento
- Reprodução de comportamentos adultos em brincadeiras
Mudanças no uso da internet
- Segredo excessivo com o celular ou computador
- Recebimento de mensagens ou contatos de desconhecidos
- Reações emocionais intensas após uso de dispositivos
É importante reforçar que nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um abuso, mas a presença de vários deles ou mudanças abruptas devem acender um alerta e motivar a busca por ajuda especializada.
O perigo também está no ambiente digital

Com o avanço da tecnologia, também temos nos preocupado com novas formas de violência passaram a atingir crianças e adolescentes.
Um estudo recente do UNICEF aponta que, no Brasil, 1 em cada 5 crianças e adolescentes (19%) já sofreu algum tipo de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano. Isso representa cerca de 3 milhões de vítimas.
Preocupa saber que 66% desses casos acontecem em redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos, comumente com a exposição a conteúdos sexuais não solicitados. Assim como em casos físicos, no ambiente digital muitas vezes o agressor é conhecido da vítima.
Esses dados reforçam um ponto essencial: o risco não está apenas fora de casa, ele também pode estar dentro dela, nos dispositivos conectados.
Qual profissional procurar?

Dentre os principais especialistas que podem ajudar estão pediatras, neuropsicólogos, psicólogos especializados no atendimento de crianças e adolescentes, além de psiquiatras infantis.
· Pediatra: pode ser o primeiro ponto de contato para avaliar sinais físicos e encaminhar para outros profissionais;
· Neuropsicólogo: pode avaliar impactos cognitivos e emocionais em casos mais complexos;
· Psiquiatra infantil: indicado quando há sintomas mais intensos, como ansiedade severa, depressão ou alterações importantes de comportamento;
· Psicólogo infantojuvenil: atua na escuta qualificada, acolhimento e identificação de sinais emocionais e comportamentais.
Na Clínica Amatus, contamos com uma equipe multidisciplinar com todos esses especialistas disponíveis para o acompanhamento infantil e do adolescente em casos de violência ou abuso.
Nossa equipe disciplinar está preparada para acolher, cuidar e orientar as vítimas e suas famílias.
Em casos confirmados ou suspeitos, é fundamental acionar a rede de proteção:
- Conselho Tutelar
- Escola
- Serviços de saúde
- Disque 100 (denúncia anônima e gratuita)



