Falar sobre sexualidade com crianças ainda é um tema que gera insegurança em muitas famílias. Quando pensamos em bebês e crianças pequenas, a dúvida costuma ser ainda maior: será que já é o momento de conversar sobre isso?
A resposta é sim.
Conversar sobre sexualidade com crianças não tem relação com antecipar assuntos da vida adulta, mas sim com segurança, proteção e autoconhecimento desde os primeiros anos de vida.
Na prática clínica, como pediatra e hebiatra, vejo o quanto essas conversas fazem diferença na forma como a criança entende o próprio corpo e se protege no dia a dia.
E, para ajudar nesse processo, gosto muito de utilizar o livro Pipo e Fifi, da autora Caroline Arcari e da ilustradora Isabela Santos, que traz o tema de forma adequada para as crianças pequenas.
A partir desse material, compartilho três orientações importantes para começar essa conversa.
1) Explique que existem partes do corpo que precisam de proteção

Um ponto essencial ao conversar sobre sexualidade com crianças é ajudar a identificar que existem partes do corpo que são íntimas.
De forma simples e respeitosa, é possível explicar que regiões como partes íntimas e boca não devem ser tocadas por qualquer pessoa.
Essa conversa não precisa ser complexa. O mais importante é que a criança compreenda que o corpo dela tem limites e que esses limites precisam ser respeitados.
Esse tipo de orientação contribui diretamente para a proteção da criança e para o desenvolvimento de uma relação saudável com o próprio corpo.
2) Ensine quem pode cuidar do corpo da criança

Um dos primeiros passos ao conversar sobre sexualidade com crianças é explicar, de forma simples, quem pode tocar no corpo dela e em quais situações.
É importante que a criança entenda que as regiões íntimas só podem ser tocadas por pessoas de confiança em situações de cuidado, como na higiene.
Mas aqui existe um ponto fundamental: não se trata de dizer que “só a mãe” ou “só o pai” pode.
A criança precisa reconhecer quem são as pessoas de confiança na rotina dela, como cuidadores, responsáveis ou profissionais envolvidos no cuidado, sempre com clareza de que esse toque acontece apenas para ajudar.
Esse entendimento é uma base importante para a segurança da criança.
3) Fale sobre isso com frequência

Um dos maiores erros ao conversar sobre sexualidade com crianças é tratar o tema como algo pontual.
Não é uma conversa que acontece uma vez e termina. Ela precisa ser contínua, natural e presente no dia a dia.
Por isso, materiais como o livro Pipo e Fifi são tão importantes. Eles facilitam a abordagem, despertam a curiosidade e permitem que a criança retome o assunto com mais frequência.
Além disso, o próprio livro convida à interação, o que torna a experiência ainda mais significativa para a criança.
Revisitar o tema ao longo do tempo ajuda a fortalecer o aprendizado e a segurança.
Um cuidado fundamental
Conversar sobre sexualidade com crianças é, acima de tudo, uma forma de cuidado.
Não se trata de antecipar fases, mas de oferecer ferramentas para que a criança compreenda o próprio corpo, reconheça limites e saiba a quem recorrer quando precisar de ajuda.
As crianças têm, sim, capacidade de compreender o que ensinamos.
Na Clínica Amatus, acreditamos que cuidar é olhar para o desenvolvimento de forma integral, com afeto, empatia e responsabilidade.
Se você tem dúvidas sobre como abordar esse tema ou sente dificuldade para iniciar essa conversa, buscar orientação profissional pode ser um passo importante para trazer mais segurança para você e para sua criança.
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