Estamos no mês de abril, saindo de um período internacionalmente conhecido como o mês da mulher. E eu, enquanto neuropsicólogo e pai de um menininho que está começando a descobrir o que é a vida, senti a necessidade de trazer o meu ponto de vista sobre um tema que tem aparecido com frequência – e de forma preocupante – na nossa sociedade.
Durante o mês da mulher, isso ficou ainda mais evidente. A cada página de jornal acessada, era possível encontrar notícias relacionadas à violência contra a mulher. Infelizmente, muitas pessoas ainda insistem em não dialogar sobre esse assunto. Mas o silêncio pode custar muito caro. O silêncio pode custar vidas.
Recentemente, em uma conversa com minha esposa, a doutora Gabriela Pavan – hebiatra incrível – , ela compartilhou uma reflexão sobre o bullying que fez muito sentido. Quando pensamos no bullying, geralmente consideramos dois agentes: quem pratica e quem sofre. Mas existe um terceiro agente, muitas vezes negligenciado, que é aquele que presencia a situação.
Esse terceiro agente pode escolher entre ajudar a vítima ou permanecer em silêncio. Quando ele se cala, ele legitima a violência. Ele transmite, ainda que indiretamente, a mensagem de que aquele comportamento é aceitável. Por outro lado, quando ele se posiciona e apoia a vítima, ele começa a interromper esse ciclo de violência.
No contexto da violência contra a mulher, essa lógica é muito semelhante. Não basta que nós, homens, digamos que nunca faríamos algo assim. Quando um colega, em uma conversa informal, em um jogo de futebol, em um ambiente profissional ou em qualquer outro contexto, faz um comentário agressivo, violento ou desrespeitoso – e nós nos calamos – estamos, de certa forma, permitindo que isso continue.
Não é possível construir uma sociedade mais justa, com equidade de gênero e menos violência, se esse “terceiro agente” escolhe o silêncio diante do que sabe que está errado.

Como pai de um menino, percebo isso no dia a dia. Entendo que não basta ensinar o que é certo. É igualmente importante repreender atitudes inadequadas de outras pessoas, para que o meu filho compreenda, na prática, o que não deve ser feito. Espero que, no futuro, se ele presenciar uma situação de violência, ele tenha coragem de se posicionar e de agir.
Precisamos lutar pelas mulheres. Esse não é um papel exclusivo delas, é de todos nós. E, principalmente, de nós, homens.
É fundamental reconhecer que existe um problema estrutural na nossa cultura: o machismo e a misoginia. Eles se manifestam de diversas formas e impactam diretamente a vida das mulheres, que muitas vezes não se sentem seguras para andar sozinhas na rua, que sentem a necessidade de compartilhar sua localização ao voltar para casa, ou que percebem que serão melhor atendidas em determinados espaços se estiverem acompanhadas por um homem.
Tudo isso também é violência.
Precisamos compreender isso com seriedade e responsabilidade. Porque vidas de mulheres estão sendo ceifadas. E não podemos nos calar.
Não podemos ser esse terceiro agente que escolhe o silêncio e se mantém confortável em sua própria segurança enquanto outra pessoa se sente ameaçada.
A nossa segurança não é maior, nem mais importante do que a delas.



